terça-feira, 23 de março de 2010

Capitalismo e Ambiente

Muitas vezes se ouve afirmar que uma das principais causas do estado do planeta é o capitalismo. Uma vez que os mercados tentam maximizar os seus lucros o que acontece é um abuso dos recursos naturais levando a que os recursos do planeta diminuam e o ambiente se degrade.
No entanto, a lógica dos mercados mostra-nos algo bastante diferente. O que de facto acontece é que se houver direitos de propriedade bem definidos a conservação do ambiente é garantida através da eficiência dos mercados. Para ilustrar este ponto de vista, os economistas normalmente aludem à Tragédia dos Comuns. Suponhamos a seguinte situação: existe um solo partilhado por vários agricultores, i.e., o solo não é propriedade exclusiva de nenhum deles, mas sim um bem público. Os agricultores não têm de pagar para usar o solo e o incentivo que têm é de gastar os recursos escassos deste solo antes que os outros agricultores o façam. Consequentemente, os agricultores em vez de tentarem conservar o ambiente o que eles fazem é gastá-lo o mais depressa possível, evitando que os outros agricultores o façam primeiro. Portanto, sendo o solo um bem público o incentivo que todos têm é gastá-lo o mais depressa possível tirando o melhor proveito do solo.
Por outro lado, se o solo fosse um bem privado os eventos seriam diferentes. Suponhamos que existe um proprietário deste terreno que pode arrendá-lo aos agricultores. O interesse do proprietário é que os agricultores não usem todos os recursos do terreno para que no futuro ele possa continuar a gerir e ter lucro. Sendo assim, o proprietário tem o incentivo de limitar o uso dos recursos, preservando o ambiente. Tendo o proprietário este incentivo terá também o incentivo de aumentar o preço do consumo do solo aos agricultores levando a que estes tenham usem o solo de forma sustentável e responsável.
Resumindo, incentivos diferentes resultam em atitudes diferentes no que diz respeito à protecção do ambiente. O que é relevante é que a associação entre lucro e ambiente resulta em desenvolvimento sustentável. Em contraste, caso o ambiente seja um bem público, o incentivo é consumir os recursos o mais depressa possível. Por isso, a solução para o ambiente não é menos mas mais capitalismo.

1 comentário:

  1. Um ponto bastante pertinente.

    Se as pessoas não têm um sentido de propriedade sobre um pedaço de terra, e ao mesmo tempo têm o incentivo monetário de lucrar com a exploração desse mesmo hectare, parece evidente que o resultado é a destruição desse fragmento do ambiente.

    As excepções parecem ser quando um agricultor consegue ir contra a corrente do incentivo monetário dada a sua.. chamemos-lhe "integridade moral". Escolhendo fazer menos dinheiro, de forma a não destruir o que não é seu.
    Ora, parece evidente também que estas excepções só acontecem quando a pessoa em causa efectivamente tem essa escolha, quando não está forçada a garantir o seu rendimento para poder sobreviver, ou para assegurar a segurança monetária da sua empresa.

    O Capitalismo é de louvar, trouxe-nos até aqui. Proporcionou o desenvolvimento social e tecnológico que nos permite estar agora aqui na internet a trocar ideias.
    Mas pergunto-me, se não nos aproximamos do tempo em que o ser humano estará pronto para uma mudança de paradigma, da magnitude da criação da agricultura e da revolução industrial.

    Esta possibilidade é aludida neste documentário zeitgeistmovie.com/add_portug.htm "Zeitgeist:Addendum".

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